sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Capítulo 3

Quando eu estava saindo do restaurante, eu só ouvi o sininho da porta. Era o tal Dalí, ele saiu bufando a boca e vestindo sua jaqueta aquecendo as mãos com o seu bafo, agora com seu nariz engessado, ele estava só arranjando um caminho para puxar conversa supus eu. Bom... Sorte minha, ele era o dono do restaurante.
-Julia! Espere, posso te acompanhar até em casa, eu iria te oferecer uma carona se meu carro não estivesse congelado.
-Claro, estou acustumadíssima a andar à pé.
E nós conversamos e rimos bastante até percebermos que tínhamos muito em comum.
-Julia, diga-me, já foi casada?
Eu respondi, sentindo-me meio que pressionada:
-Por que a pergunta?
- Por que você é uma mulher bonita...
"Hummm... esse assunto, vamos fugir disso''- Pensei
- Hum... Mas você deve ter sido muito bem sucedido  no seu casamento, não é?
Ele de repente abaixou a cabeça, foi quando eu descobri imediatamente que tinha falado bobagem, Seus olhos ficaram vermelhos, mas ele deu um sorriso. O quê me deprimiu ainda mais:
- O- o que houve? Dalí? ... Eu não sabia será que eu...
-Não, está tudo bem... É que sabe... Eu tinha uma família, entende.
-É mesmo? ''hummm, se fazendo de vítima, eu conheço essa''
Ele balança a cabeça como sinal que "sim" e prossegue:
-Éramos três, Janine, e minha querida filha, Brook... Daí houve um acidente na pista..E..
-Não precisa continuar... Olha... A minha casa já é aqui.
Pensei " Caramba, é a segunda vez que eu vejo o cara e já o faço chorar? Na primeira eu quebrei o nariz dele". Sentindo-me culpada, lhe dou um abraço apertado e um beijo na testa, a qual quase não alcançava mas dei meu jeito. Entrei em casa, dei comida ao meu gato, Golias, tomei um banho quente e fui dormir.
No dia seguinte, eu saí cedo de casa. Dalí havia me avisado que tínhamos que ser pontuais no restaurante e como, queria chegar no cargo de cozinheira chefe e realizar meu sonho, nunca faria nada que me constrangesse, fiz tudo pontualmente. Mas antes que eu pudesse abrir a porta de casa, eu ouço a porta bater. Atendo.
-Senhora Julia Morelli?
-Não, é Morello.
-Uau. Eu duvido que seja senhora. A senhora estaria em ótimas condições!
Podia? O porteiro estava me cantando. E não era tão feio... Usava uma blusa de praia e calças rasgadas.. Tinha cabelinho baixo mas jeito de menino.
-O que o senhor quer?
-Pode me chamar de Pablo.
-Ok. O que você quer, Pablo.
Ele exitou como se fosse falar alguma gracinha mas eu o encarei por trinta segundos sem piscar e ele me estendeu sua mão com uma carta com o título"querida filha".