Juntei metade dos papéis, apressada, quando levantei, com pressa pra ir embora, bati a cabeça no queixo de uma pessoa o que derrubou o homem há um metro de distância de mim.
Desesperadamente, como eu queria sair de perto do restaurante, comecei a rir para não chorar.
"Ótimo! Que dia perfeito! Já não basta o que aconteceu, agora isso? 'Foram meus primeiros pensamentos, quando dei conta de mim fui socorrer o homem:
-Moço! Moço... Ai meu Deus! Me desculpa! Por favor, levanta!
Ao levantar a cabeça dele, aparentava uns 30 anos, talvez um pouco mais velho que eu... Parecia um mendigo na verdade suas roupas não combinavam e seu cabelo estava arrepiado, fiquei com medo de ficar ali mas minha ética predominava.
Rapidamente arranjo um jeito de me apresentar.
-Me desculpe. Eu não consegui parar, olhei para baixo e não te vi. Você está bem?
Ele dá um pequeno "sorriso de lado" e olha de volta...
- Que dor de cabeça! Eu apaguei?
Revirou os olhos e voltou a desmaiar. Eu me desesperei!
- Você cozinha?
Eu fico pasma quando ele acorda com um papel na mão, uma folha escrita a mão por mim, do meu livro de receitas, eu nervosa respondo:
-Sim... Sim.. -Eu olho para os lados mas não tem ninguém na rua, começo a ficar desesperada...
Ele abre os olhos.
-Espinafre ao molho Barbecue...- E apaga...
-Meu Deus! - Eu fiquei sem saber o que fazer então decidi dar tapinhas no rosto dele. Ele acorda em súbito.
-Ai. Caramba... O que aconteceu aqui? - Olhou para meus papéis presos no chão, voando.
Ele dá uma risada, nós nos levantamos.
-Olha, eu posso chamar uma ambulância ou te acompanhar até em casa, ai, me desculpa moço, eu estou totalmente envergonhada. Eu não tenho carro, estou a pé, não posso fazer muita coisa.
O seu nariz estava sangrando e ele estava tossindo sangue em mim.
-Desculpe - E coloca a mão sobre o rosto.
-Moço... - Meu coração acelera quando ele chega mais perto mas de repente ele passa direto e começa recolher minhas coisas.
-Não acredito. Deve ser meu dia de sorte, eu estava a procura de uma boa cozinheira para meu canteiro. Olha, Julia Morello não é? Você é bem famosa por aqui, já deu muitas aulas para donas de casa, é isso? Meu nome é Dalí - Ele Tosse- Aqui.... o cartão da minha empresa, precisamos inovar um pouco... - Ele tosse
-Ãh.. eu... posso... "Como ele sabe meu nome? Isso é aterrorizante''.
-Não, não se preocupe com isso, foi só um acidente. -Ele tira a mão do nariz e eu tomo um susto:
-Ah! - Eu grito e ele fica lá sorrindo todo ensanguentado com seu nariz fora de órbita. -Seu na... -Ele cai pra trás e eu chamo o resgate, logo depois vou embora. No caminho, viro o cartão com o telefone dele e me surpreendo, ele é do restaurante Dall's, o melhor da cidade.
Eu sorrio, meio envergonhada, mas por dentro, pulando de alegria e preparando o celular para jogar na cara de Jacobo o acontecido.
Não estava crendo, do pior, de repente, eu havia passado de dia horrível para ótimo dia.
Eu liguei pra ele e no dia seguinte, eu já fui chamada para ficar lá.
Dalí me mostrou cada um dos empregados, inclusive, seu nome era Dalí, daí o nome "Dall's". Mas observei que ele não havia me apresentado a um homem que sentava em uma caixa de madeira próximo à dispensa. O miserável não parava de me olhar. Era um homem com cara de marrento e corpo de marinheiro, não muito forte, diria até que era delgado. Usava um avental branco por cima de roupas simples que encaixavam certo em sua personalidade. Esse era o gerente que discutiu comigo há um tempo atrás! Aquele grosseiro! Não entendia como ainda podia trabalhar lá.
Perguntei a Dalí quem era o sujeito ele me olhou com uma cara de preocupação, coçou a cabeça e me sussurrou:
- Não se meta com ele. Você não vai querer. Kevin é encrenqueiro e ouvi boatos que ele fugiu da prisão. Ele é um filho do melhor amigo do meu pai e o prometi que o ajudaria enquanto eu vivesse.
Eu olhei mais uma vez para ele e seu olhar me assustou. Ele levantou rapidamente do assento e passou por mim sem trocar mais nenhum olhar, frio e seco.
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