domingo, 22 de setembro de 2013

Capítulo 1

-Eu morava em Nome, Alaska.  Estava frio, meus dentes batiam, só o vinho me aquecia... Mas vocês acreditem ou não, a minha vida amorosa inteira se passou nesse lugar. Estou casada há vinte anos com o amor da minha vida a quem demorei algum tempo para perceber que era ele quem eu amava. O que vai te deixar com um friozinho na barriga nas horas em que eu te der um gostinho de quem seja ele.
-Por quê vocês demoraram tanto para casar vovó?
-É o papai, mãe? Filha, a vovó vai contar a história dela pra você, e vou lá fora dançar enquanto você ouve.
- Mamãe, traga bolo pra gente!
-Ouça a história primeiro.
-Mãe, você já contou essa história, e é muito longa! Hoje é o dia do meu casamento, me deixe fugir, só dessa vez? As meninas estão aí. Elas vão te ouvir!
-Mostra os dentes pra ela vovó! Uhg!!! Que nojo!
 -Hahaha... Por fim, ou a ínico, como preferirem, vamos começar no dia 13 de outubro de 1999. Eu trabalhava em um grande restaurante a poucos passos do meu futuro ideal que envolvia ser uma grande chef de cozinha. Estávamos, eu, Daves e Bárbara do lado de fora do local, fumando, bebendo e fazendo brincadeiras imbecis uns com os outros.
-Imbecis vovó? Os adultos fazem isso? Pensei que eram muito inteligentes!
-Fazem sim minha neta... Fazem muita besteira aliás.
Quando sentimos um leve cheiro de gãs saindo do prédio. Deu apenas tempo para olharmos para cima pois o prédio se espatifou em menos de dez segundos.
A partir deste evento minha vida começou a ficar de pernas para o ar..
Dois dias depois, fiquei sabendo de um pequeno empreendimento que iria abrir em uma cidadezinha pequena ao lado da minha.
Eu trabalhava no segundo melhor restaurante da cidade então seria difícil chegar a algo a altura. Mas eu tinha uma ambição impossível, o melhor restaurante da cidade, Dall's. Eu havia tentado há 2 anos atrás uma vaga lá mas o gerente não quis nem me ouvir! Fez o maior barraco no meio de todos os cozinheiros quando viu que eu botava muito tempero na comida e fugia dos padrões do cardápio. Não ia voltar lá tão cedo, como última opção talvez.
Saí de casa às duas horas da tarde do dia 15. Lembrando que o livro que escrevi é baseado no meu diário que escrevia até meus 22 anos por motivos psiquiátricos.
Eu tinha tudo para conseguir o emprego, peguei o trem determinada e disposta ao que fosse.
Cheguei ao local cansada, mas com um sorriso no rosto a quem me olhasse. Apenas parei de sorrir quando vi um colega meu ali, junto ao patrão que seria meu se ele não estivesse la antes de mim.
Para deixar claro, eu fui enganada, levei uma rasteira do senhor Daves Jacobo. Maldito chinês! Eu o contei sobre o emprego duas horas mais cedo por que eu confiava plenamente nele, trabalhamos juntos, bebíamos juntos, o que poderia dar errado?
-O quê pensa que está fazendo? -Eu o perguntei de sobrancelhas franzidas e suor escorrendo. Ele descaradamente ainda teve a ousadia de me responder:
-Eu não podia perder uma oportunidade desse nível... E você me ajudou... Sinto muito... Nesse mundo, ganham os espertos- Disse ele com um sorriso malicioso no rosto.
Não aguentei que ele continuasse, como sou fraca, recolhi minhas coisas e saí do local chorando.
Estava chovendo e eu comecei a me molhar toda, abri o guarda chuva com raiva e minhas coisas escorregaram da minha mão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário